IFRJ Campus Duque de Caxias recebe autores para apresentação de livro sobre decolonialidade e pensamento de Frantz Fanon

O IFRJ Campus Duque de Caxias recebeu, no dia 8 de abril, parte dos autores do livro “Subjetividade, Decolonialidade e Esperança: Afrodiálogos com Frantz Fanon”. O evento foi promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) e realizado em formato de palestras voltadas para estudantes do ensino médio integrado ao técnico do campus.
A abertura do evento foi realizada pela diretora-geral do campus, Maria Celiana, que agradeceu a presença dos convidados e destacou a importância de ampliar o debate sobre a cultura indígena no ambiente escolar. Em sua fala, ressaltou que, muitas vezes, essas vozes não ocupam o espaço de fala que deveriam nas instituições de ensino.
Autores compartilham vivências e reflexões
Entre os autores da obra, três estiveram presentes na atividade: Marize Guarani, doutora e professora; Levi Puri, indígena do povo Puri, professor, escritor e pesquisador; e Wagner Neves de Mattos, também professor e pesquisador.
Durante sua fala, Marize Guarani problematizou a forma como a população brasileira é historicamente moldada por padrões europeus. A autora também compartilhou vivências em aldeias indígenas, destacando ensinamentos como a valorização da escuta dos mais velhos. Segundo ela, o aprendizado começa pelo ouvir atento, seguido da construção de ideias, para então chegar ao momento da fala e do questionamento.
Levi Puri, ex-professor do campus, relembrou a trajetória de sua família, que migrou para a Baixada Fluminense na década de 1960, fugindo de condições de trabalho análogas à escravidão, estabelecendo-se em Duque de Caxias. Ele reforçou a importância de reconhecer as ancestralidades e compreender o passado como forma de interpretar o presente e projetar o futuro.
Já Wagner Neves de Mattos abordou questões relacionadas ao antirracismo, apresentando reflexões a partir do capítulo de sua autoria presente na obra.

e transformação social a partir do pensamento de Frantz Fanon
Sobre o livro
Lançado em março de 2026 no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), o livro “Subjetividade, Decolonialidade e Esperança: Afrodiálogos com Frantz Fanon”, organizado por Lucimar Felisberto, reúne reflexões sobre subjetividade negra, decolonialidade e transformação social. A obra promove o diálogo entre intelectuais negros em torno de temas como resistência, identidade e libertação, estimulando o pensamento crítico e a construção de perspectivas decoloniais.
As discussões são fundamentadas nas contribuições de Frantz Fanon, psiquiatra e filósofo político das Antilhas francesas, cuja produção influenciou significativamente os estudos pós-coloniais, a teoria crítica e o marxismo. Entre os principais eixos abordados estão a subjetividade negra e a esperança como ferramenta de transformação social.
Colaboração: Karolina Souza da Costa