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Estudantes do IFRJ Belford Roxo visitam terreiro e aprofundam estudos sobre cultura afro-brasileira

Estudantes do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) – Campus Belford Roxo realizaram uma visita ao terreiro Ilê Oxóssi Omorodessi, localizado no município, como parte das atividades do curso de extensão “Diálogos Afrodiaspóricos: memórias e oralidades dos terreiros da Baixada Fluminense”. A iniciativa tem como objetivo promover a valorização da cultura afro-brasileira e o contato direto com saberes tradicionais preservados nas comunidades de terreiro.

Conduzido pela Mestra Mãe Isabel de Oyá, professora responsável pela formação, o curso é promovido pelo IFRJ Campus Belford Roxo em parceria com a Escola Nacional Nego Bispo, do Instituto Federal da Bahia (IFBA). Durante a visita, os estudantes participaram de uma imersão nos fundamentos, na organização comunitária e nas histórias de vida que mantêm vivas as tradições do Candomblé.

A atividade foi conduzida por Ekedis (sacerdotisas) e por membros mais antigos da casa, que compartilharam experiências filosóficas e práticas relacionadas à religião. Um dos pontos destacados foi a estrutura comunitária do Ilê. Na ocasião, a Ekedi Mônica Dias explicou que o funcionamento do terreiro depende do trabalho coletivo e do compromisso com o aprendizado contínuo sobre o Candomblé. Com bom humor, ela ressaltou que “somos empregados dos Orixás”, enfatizando valores como humildade e união.

A roda de conversa também foi marcada por relatos sobre o Babalorixá Dito de Oxóssi, fundador do terreiro e importante liderança na luta contra a intolerância religiosa na comunidade. Falecido em 2021, ele foi lembrado pelos participantes como um militante comprometido com a defesa da fé e com a promoção da cidadania.

Durante o encontro, os estudantes também conheceram aspectos históricos e a diversidade presente no Candomblé. Foram apresentadas diferentes nações da religião, como Ketu, Jeje e Angola, além da importância da ancestralidade para a preservação dos saberes tradicionais.

Mãe Isabel de Oyá destacou que, embora cada grande casa tradicional tenha sua própria história e especificidades, todas compartilham raízes comuns. “Vivenciar e ouvir lideranças do terreiro vai além de uma visita escolar; representa um passo importante para a construção de uma sociedade mais tolerante”, afirmou. A mestra também convidou os estudantes a refletirem sobre o papel dos terreiros na preservação da cultura e da memória das gerações que vieram antes.

Com informações de Maria Eduarda Ferreira Branco, do Coletivo Afrodiaspóricos / LabCom.

Foto: Nena Balthar

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