Caminhada Contracolonial: visita às Ruínas da Fazenda dos Pinheiros

Estudantes e professores do Campus Pinheiral realizaram uma caminhada do pátio central até as Ruínas da Fazenda dos Pinheiros, no dia 18 de março. A iniciativa teve como objetivo contar a história das ruínas a partir das filosofias e ancestralidades dos povos pretos que foram escravizados no Sul Fluminense no período cafeeiro.
A atividade foi uma ação integrada ao evento nacional "21 dias de ativismo contra o racismo” — uma frente de luta apartidária, sem fins lucrativos e autogestionada, com a missão de pautar a luta antirracista em diferentes escalas e contextos como uma ação diária e contínua.
Em memória aos ensinamentos do mestre "Nego Bispo" — renomado pensador, quilombola, escritor, poeta e ativista político brasileiro —, que propôs um pensamento contracolonial de contestação ao modelo civilizatório ocidental, a caminhada foi intitulada "Contracolonial".
Durante a atividade, os estudantes também se aproximaram de conceitos trabalhados por Nego Bispo, como biointeração, cosmofobia e cosmovisão.

“Tivemos a participação de estudantes de diversos cursos, que abraçaram a proposta, mesmo em um dia de sol escaldante. Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todos os envolvidos, que, direta ou indiretamente, se mobilizaram para fazer acontecer esse momento”, avaliou a professora Patrícia Souza, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi).
Ela acrescentou ainda: “Fizemos um roteiro experimental e colocamos, de fato, os pés nos pontos que precisam ser vistos e ressignificados para o resgate da memória preta neste lugar, onde hoje funciona o IFRJ Campus Pinheiral. Em memória dos povos pretos que aqui passaram e deixaram seu legado, saudamos o 'Quilombo de Pinheiral' e a presença viva do jongo pinheiral, que é exemplo de resistência da cultura negra nesse lugar. Ensinamos aos estudantes um ponto do Jongo do Vale do Café, que fala da presença dos povos de língua do tronco Bantu na região":
"Ô gente, nasci N'Angola
Angola que me criou
Eu sou neto de Moçambique, aí meu Deus do céu
Eu sou negro, sim senhor"
A atividade foi promovida pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) e contou com o apoio de projetos parceiros de pesquisa e extensão, sendo eles:
- "Geografia, Território e Aquilombamento" e "O jardim sensorial e sabedorias quilombolas e indígenas do uso de plantas para o benfasejo" (coordenação: Patrícia Souza);
- "Memórias do Campus Pinheiral: patrimônio, memória e identidade" (coordenação: Marcela Erthal);
- "Filosofia para todes: filosofar a partir do cotidiano" e "Educação em Direitos Humanos a partir da música" (coordenação: Amanda Garcia).
Colaboração: Greici Oliveira